sexta-feira, 27 de abril de 2018
A Mulher da Janela
A mulher da janela
- Olha ela, olha ela! Dizia uma mulher ao seu marido quando via sua vizinha através de sua janela.
- Deixe ela, deixe ela! Dizia o marido ao ver sua mulher julgando na janela. - Cuidemos de nós e não dela, não vá espiar nossa vizinha pela nossa janela!
- Mas como pode? Isso não pode! Dizia a mulher ao seu marido quando via sua vizinha estendendo um lençol branco no varal que se quer era na casa dela.
- Deixa ela, deixa ela, se o lençol está sujo é um problema exclusivamente dela! Dizia sempre o marido que via sua mulher espiando na janela.
- Mas como pode? - Isso não pode, o lençol sempre está sujo e isto é algo muito sujo que vejo vindo dela! Dizia a mulher ao marido quando espiava a vizinha através da janela.
A tal janela dela sempre estava fechada, porém por ser de vidro tudo do quintal da vizinha a mulher avistava.
- Olha ela, suja é ela, sempre vejo nossa vizinha estendendo o lençol sujo dela!
- Não olhe ela, deixe ela, não julgue o próximo pelo que vê através de nossa janela! Dizia sempre o marido que via sua mulher vendo a vizinha pela janela.
- Julgo ela, suja é ela, sempre com esse lençol encardido que vejo através da nossa linda janela!
- Deixe ela, esqueça ela, se o lençol da vizinha está sujo ou limpo nada temos de ver com a vida dela, por favor minha mulher saia dessa janela!
Mas não adiantava, nada mudava, quanto mais o marido suplicava mais a sua mulher na janela a sua vizinha julgava, espiava e observava. Mas não mudava, nada adiantava, sempre o marido pedia mas sua mulher na janela ficava.
Por fim o marido cansara, não mais aguentava sua mulher que da janela sempre julgava, sorrateiro e silencioso acordara de madrugada e cometeu um ato que enfim tudo mudaria.
- Olha ela, vem ver ela! Dizia a mulher ao marido logo de manhã com um sorriso estampado na face que qualquer um notaria olhando do lado de fora para sua janela.
- Vem ver ela, olha ela! Dizia sorrindo ao marido ao ver que o lençol da vizinha estava tão branco igual rosas brancas das mais bela das primaveras.
- Olha então, veja então! Dizia contente ao marido ao ver que o lençol da vizinha estava mais branco que as nuvens mais brancas que surgem no verão.
- Deixe ela, esqueça ela, o lençol da vizinha sempre foi branco devido a limpeza dela, sempre foi branco igual rosas brancas que surgem na primavera! Foi isso que disse o marido a sua mulher que ficava sorrindo na janela.
- Não proteja ela, pois isto não era, somente hoje o lençol está limpo e tão branco como rosas brancas que surgem na primavera, suja ela era, portanto jamais proteja ela! Disse a mulher enquanto não desgrudava de sua linda janela.
- Deixe ela, pois suja ela jamais era, a verdadeira culpa você via através da nossa janela! Disse o marido a sua mulher que olhava espantada para ele apoiando-se em sua bela janela.
- Como era? - Suja ela não era? Perguntou espantada a mulher ao marido enquanto se apoiava na janela. - Como não era? Por que a culpa seria desta bela janela? Perguntou a mulher indignada ao marido.
- Sim mulher, a culpa verdadeira vinha da nossa “janela”! Levantei-me de madrugada e resolvi limpar os vidros dela, a sujeira que via na verdade não vinha do lençol da vizinha, a sujeira que via na verdade vinha dos vidros da nossa janela de onde você olhava o lençol da vizinha, portanto ao invés de espiar se o lençol da vizinha era sujo ou não, procure limpar sua própria janela, portanto ao invés de julgar se sua vizinha era suja ou não era, preocupe-se em limpar sua linda janela, deixe ela, esqueça ela!
Então a mulher da janela calou-se e saiu da janela, pois de tanto julgar esqueceu de cuidar da própria vida dela.
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Muito bom mesmo!!
ResponderExcluirMuito bom demais
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