RELATO DE UM ESPERANÇOSO
Foi opressão?
Talvez tenha uma parcela de culpa
Quando começou?
Só sei quando despertou
Linda tia
Foi retirada da minha vida
Essa foi a chama que se acendeu
O pavio oculto
Chegou em seu rumo e explodiu
Ela estava instalada
Até hoje tento descobrir o que plantou essa bomba maldita
Foi-se a graça
O humor correu
A tristeza ocupou
Desde então grudada me causa dormindo
Noites acordado
Cachoeira de lágrimas
O alimento é a nicotina
Aos poucos tenho melhorado
Com força evito essa rotina
Ainda mais que surgiram esperanças
Pai Paixão
Dedicação
Meditação
Dessas coisas não estou abrindo mão
Sim
Sinto muita dor
Cérebro derretido em um mar de lava
Psicológico em um quebra-cabeça com milhões de peças adversas
Alma com lama que encrosta e não solta
Mesmo com meu desdem
O corpo vai “bem”
Para quem pouco come
Troca a água por café
Sempre fumando quando esta desperto
Meu corpo está mais forte que ferro
Porém não abusar
Físico é a única parte que a doença não foi morar
Ela até vem tentando
Com garra venho a enfrentando
Vontade de só deitar estou a me levantar
Graça ao Universo perdi a vontade de me matar
Agora tenho bons motivos para nunca mais pensar nisso
Filho
Amor
Vejo esperança nos amores
Incondicional ao sentir o que é ser um pai
Uma nova paixão que pode virar amor
Ainda mesmo nas trevas me enxergo em um futuro promissor
Dissipar a dormindo
Mas por enquanto
Enquanto isso carrego o pesado fardo
Um ‘pobre” caracol carregando um elefante
Ainda assim mesmo devagar vou adiante
Luta constante
Inconstante que se normalizará
Nos últimos segundos irei nocautear
Mas até lá
Socos e mais socos venho a levar
A cada gancho me levanto
Para os demonios eu sou um espanto
Para sobreviver
Bebo as lágrimas dos meus próprios prantos
Isso é reciclar
Eis que me achava uma bosta
Hoje sou adubo que fortalece as árvores
Frutíferas repletas de vida
Delas me alimentarei como investida
Teimoso
Flor de Lótus que vive em meio ao asqueroso
Fênix que apenas necessita de uma faísca
Balança relativa
Com minha força a escuridão será ironia
Eu sou o dono do meu lar
Com a Lilith não irei transar
Com Belzebu não farei pontos-cruz
Que Lucifer se poupe
Arranje outros para jogar poker
Mas aqui tratem de se retirar
Somente aceito companhias de luz em meu lar
De fato sou teimoso
Na peneira da danação não passo pois sou grosso
Vencerei nem que vire pele e osso
Mesmo como esqueleto
Não irei morrer
Sou osso duro de roer
Ganharei pois sou teimoso
Este foi o relato de um esperançoso
Moisés Lobo 12/02/2017 ( Domingo ) 04:52
São Paulo – SP – Brasil
MEUS LIVROS

Nenhum comentário:
Postar um comentário